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Francesco Buonafina Engenheiro Mecânico

Incêndio no carro: o que fazer para não perder as provas

Um incêndio em veículo quase sempre gera uma pergunta difícil: o que causou o fogo? A resposta define quem arca com o prejuízo — a seguradora, o fabricante, a oficina que fez o último serviço ou o próprio dono. E ela depende, em grande parte, do que é feito nas primeiras horas e dias depois do incêndio.

Como engenheiro perito, vejo com frequência casos em que a causa não pode mais ser determinada porque o veículo foi limpo, desmontado ou vendido como sucata antes da vistoria. Este guia mostra como evitar isso.

1. Segurança em primeiro lugar

Afaste-se do veículo e acione o Corpo de Bombeiros (193). Não tente abrir o capô com o fogo ativo: a entrada de ar pode intensificar as chamas. Depois que o fogo for extinto, registre a ocorrência — o boletim será pedido pela seguradora e pode ser útil em um eventual processo.

2. Não mexa no veículo

Essa é a regra mais importante. A perícia de incêndio trabalha lendo os padrões de queima: a direção em que o fogo se propagou, os pontos de maior dano e o estado de fios, conexões e componentes. Qualquer alteração apaga essas pistas.

  • Não remova peças, fios ou componentes queimados;
  • Não lave nem limpe o veículo;
  • Não autorize desmontagem, reparo ou venda como sucata antes da vistoria técnica;
  • Se precisar guinchar, peça que o veículo seja transportado inteiro e guardado em local coberto.

3. Fotografe e filme tudo

Registre o veículo de todos os ângulos, por dentro e por fora, o compartimento do motor (se for seguro abrir), a placa, o local do incêndio e eventuais marcas no chão. Fotos feitas logo após o evento são valiosas porque mostram a situação antes de qualquer manuseio.

Dica: se houver câmeras de segurança por perto — de prédios, lojas ou do próprio condomínio — peça as imagens imediatamente. Muitos sistemas regravam por cima das gravações em poucos dias.

4. Reúna o histórico do veículo

A investigação não olha só para o que sobrou do carro, mas também para o que aconteceu antes do incêndio. Separe:

  • Notas e ordens de serviço das últimas manutenções;
  • Comprovantes de instalação de acessórios (som, alarme, rastreador, GNV, iluminação);
  • Relatos de sintomas anteriores: cheiro de queimado, fusíveis queimando, luzes no painel;
  • Contato de testemunhas que viram o início do fogo.

Vale também consultar se o modelo tem recall aberto, no site do fabricante ou no portal de recalls do governo federal.

5. Comunique a seguradora — e cuidado com o salvado

Avise a seguradora dentro do prazo previsto na apólice. Se a indenização for negada ou se houver discordância sobre a causa, uma perícia independente pode ser decisiva. Por isso, antes de entregar o veículo (o chamado salvado), avalie se é necessário fazer ou acompanhar uma vistoria técnica própria.

Como a perícia descobre a causa

O trabalho pericial segue um método: localizar a zona de origem a partir dos padrões de queima; analisar as possíveis fontes de ignição nessa região — sistema elétrico, linhas de combustível, componentes quentes como escapamento e turbocompressor; e descartar, de forma fundamentada, as hipóteses que não se sustentam. O laudo final descreve esse caminho e declara o grau de certeza de cada conclusão.

Mesmo com o veículo muito destruído, em muitos casos é possível chegar à origem e à causa mais provável — desde que as evidências tenham sido preservadas.

Perícia de Incêndio Veicular

Investigação técnica para identificar onde e por que o incêndio começou — avaliando sistemas elétricos, de combustível e mecânicos, além do histórico de manutenção — com laudo para seguradoras, fabricantes, oficinas e processos judiciais.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um advogado para o seu caso concreto.

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